Cooperativismo: a chave para empreender e criar seu trabalho sobre a qual ninguém te conta
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Existe uma narrativa dominante sobre o empreendedorismo baseada em um herói que vive para trabalhar… e essa história, na verdade, transforma uma minoria em modelo aspiracional. A que defendemos no Santander X Explorer **é aplicável à grande **maioria das pessoas que empreendem — embora quase ninguém fale sobre ela. Ela te fará mais feliz, te permitirá ter um trabalho criado à medida e trará uma série de vantagens que quase nunca são contadas. Soraya González, cofundadora da Pandora Mirabilia, diretora do documentário Tuentifourseven, produtora e coautora de audiocontos, jornalista… e convidada especial em nossas TalkX, teve a coragem de falar sobre isso.
“Minhas amigas da universidade e eu decidimos apostar no autoemprego, já que não gostávamos do que as empresas ofereciam. O que mais combinava com nossos ideais era a cooperativa”, explicou. Essa fórmula pode parecer mais ligada ao setor agrícola, como comentou Patricia Araque, Diretora Executiva do Santander X Explorer, que conversou durante uma hora com Soraya. Mas no empreendedorismo ela traz os mesmos benefícios:
Os meios de produção pertencem a quem trabalha neles e, depois, às pessoas que são sócias.
Há uma distribuição equitativa dos recursos.
As decisões são tomadas de forma mais democrática.
“Queríamos romper com o modelo chefe(a)–trabalhador(a) e criar um no qual todas fôssemos soberanas. Que ninguém ‘mandasse’ e não precisássemos ‘mandar’ em ninguém. Queríamos vender outras narrativas que não estivessem ligadas a coletivos sexistas”, acrescenta a cofundadora da Pandora Mirabilia. Foi assim que decidiram criar uma cooperativa de iniciativa social, na qual os lucros são reinvestidos na própria entidade e os serviços são prestados com um fim social.
O dia a dia do empreendedorismo cooperativo
Esse modelo é muito diferente dos que te contaram até agora, certo? De fato, você está inventando seu próprio trabalho — por isso, pode definir a maioria das regras. Soraya destacou quais são as principais mudanças que isso traz para o seu dia a dia profissional:
**Você não tem chefes **te dizendo o que e como fazer. Em contrapartida, “você está o tempo todo no comando, e isso pode ser cansativo”, comenta nossa convidada. Mas aqui vem o segundo benefício.
Ao fazer parte de uma equipe, você pode permitir momentos em que, se alguém se empenha mais, é possível delegar.
As decisões são tomadas coletivamente, então a responsabilidade é compartilhada.
Na Pandora Mirabilia, o sistema de governança inclui assembleias mensais entre as sócias e as trabalhadoras, nas quais não apenas são revisados os projetos e a carga de trabalho, mas também a** vida pessoal** — para ver se é possível ajudar alguém da equipe. “São importantes porque** podemos medir nosso ritmo e fazer ajustes**”, acrescenta Soraya.
“Nos plenários estratégicos anuais avaliamos os trabalhos **sob o **ponto de vista econômico, para medir a rentabilidade, e também sob o ponto de vista do bem-estar: como nos sentimos, se conseguimos criar conexões ou aprender algo. Além disso, avaliamos tarefas que não são remuneradas — como a participação em distintas redes, as reuniões no nosso espaço, o cuidado nos processos de decisão — e vemos onde podemos melhorar”, explica.
“O cuidado com a equipe e com cada uma de nós é central: não queremos apenas um salário; queremos bem-estar no trabalho, crescimento profissional, conciliação entre vida pessoal e profissional, e ativismo. Trata-se de mudar o foco: adaptar o trabalho à nossa vida privada — e não o contrário.” Soraya González, Pandora Mirabilia.
Criar algo com amigos é possível (e desejável)
Esse forte sentimento de comunidade desmonta a narrativa tóxica que fala do “erro” de empreender com amigos, apontou a Diretora Executiva do Santander X Explorer. “Você conhece as pessoas, sabe como elas trabalham e há confiança. Isso é muito importante, porque nada do que fazemos é vigiado ou fiscalizado”, confirmou Soraya.
É aqui que surge o termo intercooperação: “Nascemos intercooperando — já existia gente fazendo coisas parecidas; eles nos acolheram e nos aconselharam. Agora fazemos o mesmo com outras cooperativas. Quando nos unimos, ficamos mais fortes, oferecemos novos serviços a partir das sinergias e, acima de tudo, nos sentimos parte de uma comunidade que se apoia **em momentos de vulnerabilidade. A grande vantagem é que **compartilhamos, não competimos”, acrescenta.
Os outros recursos que você consegue com o crowdfunding
Quando pensamos em crowdfunding, o imaginário tradicional faz a gente pensar apenas em dinheiro — mas essa forma de financiamento vai muito além disso. Soraya usou o crowdfunding para realizar seu documentário Tuentifourseven.
“Eu queria um acabamento profissional que sozinha não conseguiria alcançar. A campanha de crowdfunding que lancei não só trouxe o dinheiro que precisava, mas também me deu uma estrutura e um prazo para concluir o trabalho — caso contrário, nunca descansaria.” Além disso, “serviu como divulgação e me conectou a outros projetos de comunicação”, conta Soraya.
A comunicação, aliás, é uma das chaves que a cofundadora da Pandora Mirabilia considera “vencedoras” ao preparar uma campanha. Estas são suas **três dicas **essenciais para que o crowdfunding siga o caminho certo:
Escolha pessoas que você sabe que estão interessadas no projeto e lance uma pré-campanha para elas: isso garantirá os fundos mínimos necessários. Combine não só quanto vão contribuir, mas também quando, para manter uma linha constante.
Elabore um bom plano de comunicação: cuide da mensagem e vá além das redes sociais. Envie comunicados à imprensa e entre em contato com os meios de comunicação. Pergunte-se a quais comunidades quer chegar e quais canais elas utilizam. Para os audiocontos, por exemplo, “usamos os grupos de WhatsApp dos pais nas escolas”, conta.
Inclua os apoiadores em tudo o que acontece durante a campanha — a transparência deve ser total. “Cuide deles, porque provavelmente vão querer continuar te apoiando em outros projetos”, aconselha Soraya.
Cooperativismo, cooperação, comunidade. Soa familiar? É o que levamos como bandeira no Santander X Explorer. Realidades como as que Soraya e suas sócias constroem — além de tantas outras histórias que o empreendedorismo tradicional não conta — mostram que sim, é possível.
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