02/06/20264 min

Você tem feito errado esse tempo todo

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Os experimentos para validar sua ideia não deram o resultado esperado. As pessoas não se cadastram, ninguém paga, as entrevistas são mornas, o feedback é ambíguo… ou pior: ninguém parece realmente interessado. Suas hipóteses não foram confirmadas ou talvez os resultados não sejam conclusivos. Isso significa que você deve abandonar seu projeto? Antes disso, tente mudar a metodologia de validação: a que você usou pode não ser a correta. Pode ser que você tenha feito isso errado até agora.

Primeiro, avalie se você adotou uma postura empreendedora-científica. Você priorizou evidências reais em vez de opiniões? Conversou com pessoas que não fazem parte do seu círculo próximo? Saiu para conversar com potenciais usuários no mundo real? Tem certeza de que não se apaixonou pela sua solução?

Se você fez tudo isso corretamente e, ainda assim, não há sinais positivos (ou sinais de qualquer tipo), analise por que os testes anteriores geraram — ou não geraram — essas evidências e mude de estratégia: nos estágios iniciais, um experimento com resultado negativo nem sempre invalida a ideia. Às vezes, ele invalida apenas AQUELE experimento. Não mude seu projeto (pelo menos, ainda não) sem ler isto para entender o que pode ter dado errado.

Não confunda sua ideia com o experimento Quando começamos a empreender, absolutamente tudo é uma hipótese: quem tem o problema ou a fricção, o quanto isso importa para essa pessoa, como ela resolve essa questão hoje, qual mensagem se conecta com seus potenciais usuários, qual canal funciona para transmitir essa mensagem, qual formato gera confiança ou quando seus early adopters estão dispostos a pagar.

Seu experimento tenta isolar alguma dessas hipóteses, mas, se estiver mal desenhado, ele medirá algo diferente do que você imaginava. O resultado pode ser negativo mesmo que a oportunidade exista. A boa notícia é que existe solução: testar novamente o projeto criando um novo experimento. A seguir, deixamos uma lista dos erros mais comuns para que você não os cometa.

Falar com o usuário errado Conversar com os clientes errados é, provavelmente, o erro mais comum. Por quê? Porque sua ideia parecerá “ruim” se você a apresentar ao público incorreto. Não é a mesma coisa mostrar seu projeto para estudantes ou para gestores, para early adopters ou para o mercado de massa, para pequenas empresas ou grandes corporações, para heavy users ou usuários menos experientes…

Conclusão: o problema existe, mas não para as pessoas com quem você conversou.

O pain ainda não é um pain suficientemente forte Algumas fricções existem e são reais, mas as pessoas convivem com elas por diferentes motivos: talvez o custo atual seja tolerável, talvez ainda não tenham atingido um nível de frustração suficiente ou talvez a mudança pareça mais cara ou complicada do que continuar como estão.

Isso acontece muito com ferramentas digitais ou novos processos que exigem um período de aprendizagem e adaptação, mesmo quando a produtividade melhora como resultado.

Conclusão: a ausência de urgência não significa que não exista um problema.

A mensagem não transmite valor Um mesmo produto ou serviço submetido ao escrutínio do público pode gerar respostas completamente diferentes dependendo de:

  • Como ele é explicado e da linguagem utilizada.

  • Qual benefício é destacado.

  • Qual problema se diz que ele resolve.

Por isso, muitas vezes encontramos situações em que o problema interessa e a solução também, mas as pessoas não estão dispostas a pagar por ela.

Conclusão: se a comunicação for confusa, sua ideia não “falhará” por ser ruim, mas porque foi mal posicionada diante dos potenciais usuários.

O experimento exige comprometimento demais Existe uma enorme diferença entre clicar, fornecer um email, agendar uma chamada, pagar (ou comprometer-se a pagar) e mudar hábitos.

Às vezes tentamos validar cedo demais e isso exige uma ação excessivamente “custosa” das pessoas que participam do experimento. Pedimos algo que elas ainda não estão dispostas a fazer: comprar (quando ainda não existe confiança), reunir-se conosco durante duas horas (tempo demais) ou demonstrar entusiasmo por um produto ou serviço que ainda não podem ver ou experimentar.

Conclusão: o próprio experimento gera uma fricção.

O canal não é o adequado Um experimento pode falhar simplesmente porque não chegou às pessoas certas. Não estamos falando de escolher os usuários errados para testar, mas de utilizar canais inadequados para alcançá-los.

Isso acontece quando você depende de redes sociais saturadas, testa em fóruns com pouca atividade ou utiliza um canal ou método que os entrevistados não querem ou não sabem usar: formulários longos demais, links ou botões que levam de um lugar para outro (alongando o processo), procedimentos complicados para responder etc.

Conclusão: distribuição e validação estão profundamente conectadas.

O experimento não mede a hipótese correta Às vezes acreditamos estar validando se existe demanda para aquilo que propomos, mas, na realidade, estamos medindo a qualidade do texto que escrevemos para explicar o produto, o design da landing page, nossa habilidade de fazer perguntas, o nível de confiança gerado ou a autoridade percebida.

Conclusão: um experimento mal delimitado gera conclusões confusas.

Lembre-se de que seu primeiro experimento não é um veredito: você começou a conversar com o mercado e precisa continuar fazendo isso. Analise os possíveis erros e pergunte-se: sua ideia realmente não tem demanda… ou você ainda não encontrou a forma certa de revelá-la?

Imagem gerada com IA.

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